Da semana…

Para ler ouvindo:

Not About Angels – Birdy

{Ps: É só uma sugestão minha. Uma forma de fazê-lo (a) entrar mais no texto, e senti-lo de alguma forma. Fica a sua escolha, e mesmo assim, se estiver parando para ler isso: Muito obrigada ❤ } 

O som dos pássaros preenchiam o recanto silencioso onde eu me sentava. O farfalhar das árvores e a brisa fresca anunciavam a vinda de uma outra estação. Sentei-me com o baú no colo. O velho e empoeirado baú que guardava as mais remotas lembranças da minha alma e carregava consigo o valor de todas as pessoas que passaram por minha vida. Ele estava repleto dos mais belos, profundos e sinceros sentimentos que fizeram parte de mim. Com a gola da camisa já desmanchada em lágrimas, puxei um velho caderno. “Meu caderno de memórias.” Lia-se na capa. Datava de 1990. Quanto tempo se passara? Folheei as folhas amareladas e gastas com o mofo que se acumulara ali. Agora elas também estavam encharcadas.  Encontrei fotos, revivi lembranças. As anotações daquele tempo. Aquele tempo…. em que eu era feliz.

Paula Mirella

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[De Minha Autoria] – Paula Mirella

Flores sob meu pés, imensidão a minha direita, liberdade ao outro lado. Me imagino num vasto campo de pensamentos, e tudo o quanto há de sentimentos que passaram por minh’alma. Me sinto viva e ao mesmo tempo vazia, e o que mais poderia, já que estou dentro de mim? Percorro corredores da alegria, e entro em quartos inundados de dores e agonias. E agora, tão mais penso que eu poderia ter me alimentado de melhores sensações. De fazer meu coração uma casa apenas de gratidão e amor por várias gerações. Mas como toda casa junta poeira se não for cuidada, assim abandonei meu coração. Agora o retomo, como que exaustada sentindo temor e aflição. É a hora. Ajude-me na limpeza por favor.

Paula Mirella

[De minha autoria] – Paula Mirella

Brincos desbotados. Um vestido de estampa floral amarelo, que eu nunca esqueci. Um cinto azul tão quebra quanto todo o resto e… Ah. As sapatilhas. As sapatilhas vermelhas. O típico batom marrom e costumeiro sorriso colossal. Era mais ou menos dessas bonitezas que vestia-se a Lírio todos os dias.

Como lembrar tantos detalhes? Talvez, apenas talvez, eu tenha acompanhado essa garota há dias.  Quanto ao seu nome, eu demorei muito mais que dia para descobrir, então por favor: Não esqueça-o. Ah.. eu deveria saber. Está chegando a pergunta comum:  De onde vem tanto fascínio? Sinceramente? Eu não sei. O que aumentou minha contemplação foi ter o prazer de ouvi-la dar boas gargalhadas enquanto eu estudava meus inúmeros livros de medicina. Como eu pude ouvir estando em outro apartamento? Não, não me pergunte.

Talvez tenha sido só o destino levando aos meus ouvidos o que chegaria até mim de qualquer jeito.

  Paula Mirella